03/07/2026 Lançamento — It’s Not the Endorphins: The Real Science of the Runner’s High

04/07/2026 12:17

Está publicado o novo livro de divulgação científica do professor Aderbal Aguiar, It’s Not the Endorphins: The Real Science of the Runner’s High. A obra reúne uma década de evidências para reexaminar um dos temas mais mal compreendidos da fisiologia do exercício — a origem do runner’s high, a sensação de bem-estar que pode tomar o corpo durante uma corrida sustentada.

Há meio século esse efeito é creditado às endorfinas — explicação tão repetida que virou fato de pôster motivacional. E, à luz das evidências, ela é quase certamente falsa: as endorfinas são grandes demais para atravessar a barreira hematoencefálica, de modo que a euforia estaria sendo produzida do lado errado da parede. Quando se passou a investigar com as ferramentas certas, encontrou-se outra química — a versão que o próprio corpo fabrica de substâncias semelhantes às da cannabis, e uma molécula batizada, décadas antes de alguém vê-la subir no sangue de um corredor, com a palavra sânscrita para êxtase: a anandamida.

Mas a molécula nunca foi o ponto. O prazer do movimento não é um efeito colateral do exercício; é a dobradiça sobre a qual uma vida ativa gira — o que decide se uma primeira corrida vira a segunda, e se o esforço se converte em um hábito que já não exige força de vontade. E ele responde não ao esforço punitivo, mas a uma intensidade moderada e escolhida por quem se move.

Escrito com rigor de evidência e clareza narrativa, o livro fala a pesquisadores, a corredores e a qualquer pessoa interessada em entender por que o remédio mais eficaz que temos é justamente aquele que se pode aprender a apreciar.

Publicado em inglês, disponível na Amazon nos formatos Kindle (US$ 7,99) e capa comum, 194 páginas (US$ 14,99).

https://www.amazon.com/dp/6502207766

Exercício protege o cérebro contra inflamação e fadiga central

25/03/2026 08:20

Artigo aceito no periódico ACS Omega por pesquisadoras do Labioex/UFSC demonstra que o exercício físico prévio reduz os efeitos da inflamação sistêmica sobre o cérebro, preservando função dopaminérgica, comportamento e desempenho físico.

O estudo foi desenvolvido por Ana Cristina de Bem Alves, Naiara de Souza Santos e Ananda Christina Staats Pires, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFSC, sob orientação do Prof. Dr. Aderbal Silva Aguiar Junior, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, Professor Associado do Departamento de Fisioterapia da UFSC e coordenador do Labioex.

Artigo em acesso aberto e dados disponíveis em repositório aberto.

Artigo:
https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c05266

Dados (OSF):
https://osf.io/h372r/

Artigo do Labioex e IEP Remederi é publicado na revista ACS Pharmacology & Translational Science

09/10/2025 09:20

O artigo “Cannabidiol in Sports: A Brazilian Perspective”, de autoria de Tatyana Nery, José Wilson N. V. Andrade, Jimmy Fardin Rocha, Ana Paula Pinto de Araújo e Aderbal Silva Aguiar Jr., foi publicado na revista ACS Pharmacology & Translational Science (American Chemical Society).

O estudo apresenta uma visão inovadora sobre o uso do canabidiol (CBD) na medicina esportiva, discutindo seus possíveis efeitos ergogênicos indiretos — como melhora do sono, redução da ansiedade e otimização da recuperação — e os desafios regulatórios e éticos do contexto brasileiro.

🔗 Acesse o artigo completo: https://doi.org/10.1021/acsptsci.5c00580

Crescimento muscular e saúde com bloqueio do receptor CB1

26/03/2025 13:58

O artigo “Impact of CB1 receptor antagonism on skeletal muscle hypertrophy and metabolic health: a systematic review of preclinical studies” apresenta os resultados de uma pesquisa realizada como parte de uma dissertação de mestrado do PPG em Neurociências da UFSC, coordenado pelo Prof. Dr Aderbal Aguiar. O estudo revisou diversos trabalhos científicos para entender como o bloqueio de um receptor específico no corpo, chamado CB1, pode ajudar no crescimento muscular e melhorar a saúde metabólica.

O receptor CB1 é parte do sistema endocanabinoide, que influencia processos importantes no corpo como energia, inflamação e função muscular. Uma atividade excessiva desse receptor está relacionada a problemas como obesidade e inflamação crônica. O bloqueio desse receptor demonstrou ajudar na redução da gordura corporal, melhorar a sensibilidade à insulina e promover o crescimento muscular.

Foram avaliadas diferentes formas de bloqueio do receptor CB1, incluindo medicamentos específicos, alterações genéticas e exercícios físicos. Os resultados indicaram que esse bloqueio melhora a absorção de glicose nos músculos, aumenta a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação, criando um ambiente ideal para o crescimento muscular e melhoria geral da saúde.

Essas descobertas indicam que o bloqueio do CB1 pode ser uma estratégia eficaz para tratar condições como obesidade, diabetes tipo 2 e perda muscular relacionada à idade. Contudo, o estudo enfatiza a necessidade de futuras pesquisas para determinar métodos seguros e eficazes de aplicar essa abordagem em diferentes populações.

de Abreu Júnior NK, Feltrin IF, Pereira DMR, Bezerra PP, Aguiar AS Jr. Impact of CB1 receptor antagonism on skeletal muscle hypertrophy and metabolic health: a systematic review of preclinical studies. Hormones (Athens). 2025 Jan 27. doi: 10.1007/s42000-025-00628-4

Reabilitação em Sobreviventes da COVID-19: O Estudo RE2SCUE

22/09/2024 09:47

Defesa de doutorado de 21/09/2024 pelo PPG Neurociências, UFSC

Link https://youtube.com/live/aw7yoT8oMHg?feature=share

Introdução
A pandemia da COVID-19 trouxe desafios sem precedentes à saúde global. Embora o desenvolvimento rápido de vacinas tenha ajudado a mitigar a gravidade e as taxas de mortalidade, muitos sobreviventes do vírus continuam a sofrer com sintomas de longo prazo, conhecidos como “COVID longa.” Esses sintomas incluem fadiga persistente, disfunção cognitiva e depressão, que têm um impacto profundo na qualidade de vida. Para enfrentar essas sequelas, o estudo RE2SCUE foi desenvolvido como uma iniciativa de pesquisa clínica, com o objetivo de investigar os benefícios da reabilitação em sobreviventes da COVID-1

O Escopo da COVID Longa

A COVID longa refere-se a uma condição em que os indivíduos continuam a apresentar sintomas semanas, meses ou até anos após a infecção inicial. Os principais sintomas incluem:
– Fadiga: Um dos sintomas mais comuns, frequentemente agravado pela atividade física ou mental.
– Disfunção Cognitiva: Popularmente chamada de “névoa mental,” inclui problemas de memória, concentração e atenção.
– Depressão e Ansiedade: Problemas de saúde mental são prevalentes entre os sobreviventes da COVID-19, provavelmente relacionados ao isolamento prolongado, aos sintomas físicos e ao trauma da pandemia.
– Dispneia (Falta de ar): Problemas respiratórios persistentes, mesmo após a recuperação da fase aguda da doença.

O Estudo RE2SCUE: Desenho e Métodos
O estudo RE2SCUE foi conduzido para explorar a eficácia das intervenções de reabilitação nos sintomas da COVID longa. Ele foi estruturado como um estudo clínico controlado com dois grupos principais:
– Grupo de Reabilitação Supervisionada: Os participantes receberam reabilitação física supervisionada, com exercícios adaptados às suas necessidades, incluindo exercícios aeróbicos e de resistência.
– Grupo de Monitoramento Remoto: Esse grupo recebeu um manual de diretrizes para reabilitação domiciliar e foi monitorado por meio de telemedicina.

Intervenções de Reabilitação e Exercício
O estudo aplicou uma combinação de exercícios aeróbicos e de resistência como parte do protocolo de reabilitação. Os participantes do grupo supervisionado realizavam sessões estruturadas com foco em:
– Exercício Aeróbico: Caminhada em esteira ou ciclismo em intensidade moderada.
– Treinamento de Resistência: Exercícios voltados para o fortalecimento muscular, especialmente nas pernas e membros superiores.

Essas intervenções foram projetadas para abordar tanto os déficits físicos quanto os cognitivos causados pela COVID-19.

Principais Resultados do Estudo RE2SCUE
1. Melhora na Fadiga: Os níveis de fadiga diminuíram significativamente em ambos os grupos, com uma redução mais acentuada no grupo de reabilitação supervisionada. Os resultados mostraram uma queda nos sintomas de fadiga de cerca de 50-60% após a intervenção de 8 semanas.

2. Aumento da Capacidade de Exercício: Houve uma melhora notável na capacidade dos participantes de realizar tarefas físicas, medida por testes de caminhada e exercícios de resistência. Muitos também relataram uma maior qualidade de vida devido à melhora no funcionamento físico.

3. Melhorias Cognitivas: Os participantes do grupo de reabilitação também mostraram melhorias no desempenho cognitivo, especialmente em áreas como memória e atenção. Isso sugere que a reabilitação física não só aborda os sintomas físicos, mas também pode contribuir para a recuperação cognitiva.

4. Benefícios para a Saúde Mental: Os escores de ansiedade e depressão diminuíram entre os participantes que participaram da reabilitação supervisionada. Isso provavelmente se deve à interação social e à estrutura proporcionada pelo programa, além dos benefícios físicos do exercício.

Desafios e Considerações
O estudo enfrentou vários desafios, incluindo taxas de abandono devido a questões logísticas, como transporte e incompatibilidade de horários. Além disso, alguns participantes manifestaram medo de serem reinfectados durante a pandemia, o que dificultou a participação plena no processo de reabilitação.

Conclusão
O estudo RE2SCUE fornece evidências promissoras de que a reabilitação física, especialmente quando supervisionada, pode reduzir significativamente os sintomas da COVID longa, incluindo fadiga, disfunção cognitiva e problemas de saúde mental. À medida que o mundo continua a se recuperar da pandemia, programas de reabilitação como o RE2SCUE oferecem um caminho para ajudar os sobreviventes da COVID-19 a recuperar sua saúde e qualidade de vida. Mais pesquisas são necessárias para refinar essas intervenções e torná-las mais acessíveis a populações maiores.

Financiamento

Ministério da Saúde, CNPq, CAPES e FAPESC