15/10/2026 Novo artigo: revisão sistemática e metanálise do efeito ergogênico da cafeína em roedores
A cafeína bloqueia receptores de adenosina, entre eles o A2A. Em roedores, nenhuma síntese quantitativa tinha medido o tamanho do seu efeito ergogênico.
Registrada no PROSPERO antes da busca (CRD420250653223), a revisão é relatada segundo o PRISMA 2020. A busca em nove bases de dados, em maio de 2025 e junho de 2026, resultou em 14 estudos incluídos. Seis, com 71 animais, testaram dose única sistêmica antes de uma tarefa aeróbia e entraram na metanálise. Tarefas anaeróbias, exposição crônica e injeção no cérebro foram descritas à parte, por regras aplicadas independentemente do efeito observado.
A cafeína aumentou o tempo até a exaustão em corrida e natação: Hedges’ g = +1,31 (IC 95%: +0,29 a +2,32; I² = 71%). Por estudo, o ganho variou de 1,9 a 83,5 minutos. A direção do efeito se repete; o tamanho é incerto. Sem um de dois estudos, o intervalo passa a incluir o zero.
Os estudos de receptor entraram em síntese narrativa, porque a busca não foi construída para encontrá-los. Em camundongos sem o A2A, no corpo todo ou só no prosencéfalo, a cafeína não teve efeito ergogênico, e o antagonista seletivo SCH 58261 reproduziu o ganho. Só essas duas linhas isolam o receptor. Para os autores, o A2A participa da resposta, sem ser seu mediador estabelecido.
Pelo GRADE adaptado à pesquisa animal, a certeza é muito baixa para o desempenho e baixa para o mecanismo. Quase todos os estudos usaram só machos, e na maioria o risco de viés foi incerto ou alto em randomização e cegamento. Com menos de dez estudos, o viés de publicação não pode ser excluído. Os três estudos do próprio grupo foram reavaliados por duas revisoras sem autoria em nenhum estudo incluído.
Autores: Naiara de Souza Santos, Izabel Feltrin Fabro, Beatriz Carminati dos Santos, Débora Maria Russiano Pereira e Aderbal S. Aguiar Jr. (LaBioEx, Departamento de Fisioterapia, UFSC Araranguá).
Financiamento: CAPES (taxa de publicação e PROEX), FAPESC (bolsas de doutorado) e CNPq (iniciação científica e bolsa de produtividade em pesquisa). A revisão não recebeu financiamento comercial.
- Artigo (acesso aberto): https://doi.org/10.1021/acsptsci.6c00417
- Dados, código e figuras (Zenodo; dados em CC BY 4.0, código em licença MIT): https://doi.org/10.5281/zenodo.23025149
Conflitos de interesse declarados no artigo.
Estudo pré-clínico. Os resultados não constituem recomendação clínica nem de consumo.
Está publicado o novo livro de divulgação científica do professor Aderbal Aguiar, It’s Not the Endorphins: The Real Science of the Runner’s High. A obra reúne uma década de evidências para reexaminar um dos temas mais mal compreendidos da fisiologia do exercício — a origem do runner’s high, a sensação de bem-estar que pode tomar o corpo durante uma corrida sustentada.