
Está publicado na ACS Pharmacology & Translational Science, em acesso aberto sob licença CC BY 4.0, o artigo “Cannabigerol Enhances Muscle Strength and Performance in Dexamethasone-Treated Mice”.
Glicocorticoides como a dexametasona reduzem a área das fibras musculares e prejudicam a função neuromuscular. O treino resistido recupera a estrutura. Se algum composto soma desempenho ao treino, é questão aberta. O canabigerol (CBG) é um fitocanabinoide sem efeito psicotomimético, que não é agonista do receptor CB1 e age sobre receptores α2-adrenérgicos, 5-HT1A, PPARα e PPARγ e sobre canais TRP. O papel dele na adaptação ao treino era pouco estudado.
Camundongos Swiss machos adultos receberam dexametasona (20 mg/kg, i.p.) por 12 dias, o que induz atrofia muscular. Seguiram-se quatro semanas de treino em escada com carga, em dias alternados, a 60% da carga máxima nas duas primeiras semanas e a 75% nas duas últimas. CBG (10 mg/kg, i.p.) ou veículo foram administrados no mesmo calendário, a treinados e a sedentários, em desenho 2 × 2 com 12 animais por grupo.
A estrutura respondeu ao treino. Na área de secção transversa das fibras do quadríceps, o tamanho do efeito (η² parcial) foi de 0,88 para o treino e de 0,25 para o CBG. Na densidade de fibras, foi de 0,86 para o treino, sem efeito significativo do CBG. Não houve interação entre os fatores.
O desempenho respondeu ao CBG. A força de preensão de pico foi 14,4 gf maior com CBG (IC 95%: 4,3 a 24,6), cerca de 10%, com ou sem treino. Na potência de subida da escada, massa levantada por segundo, o treino com CBG superou o treino com veículo em 0,89 g·s⁻¹ na carga de 60% (0,31 a 1,46) e em 1,73 g·s⁻¹ na de 75% (0,91 a 2,55), cerca de 55% e 87% a mais. Nos sedentários, o lactato após o teste submaximal foi 7,1 mg/dL menor com CBG (−11,9 a −2,3), diferença que não apareceu entre os treinados.
Os testes pós-treino começaram 48 h após a última dose, cerca de 4,8 meias-vidas pelas estimativas da literatura citada, com a potência durante o treino como exceção. O mecanismo proposto, compatível com fator de transcrição ativado por ligante, é hipótese: o estudo não mediu alvos moleculares nem a concentração de CBG no músculo. Também não separa ação central de periférica, usou só machos e avaliação sem cegamento. Lactato, creatina quinase e histologia são exploratórios, e a atrofia por dexametasona não reproduz a sarcopenia do envelhecimento.
Os procedimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC (CEUA 6172240423), em conformidade com a Resolução Normativa nº 55/2022 do CONCEA.
Autores: Izabel Feltrin Fabro, Tatyana Nery, Ana Paula Pinto de Araújo e Amanda Leite Bastos-Pereira (LaBioEx, Departamento de Fisioterapia, UFSC Araranguá), Francielly Andressa Felipetti (Departamento de Ciências Médicas, UFSC Araranguá) e Aderbal S. Aguiar Jr. (LaBioEx).
Financiamento: CAPES (taxa de publicação e PROEX), FAPESC (bolsas de mestrado e doutorado) e CNPq (iniciação científica e bolsa de produtividade em pesquisa).
Conflitos de interesse declarados no artigo.
Estudo pré-clínico. Os resultados não constituem recomendação clínica.