Está publicado na ACS Pharmacology & Translational Science, em acesso aberto sob licença CC BY 4.0, o artigo “Purinergic P2X7 Receptor Antagonism Impairs Aerobic Capacity without Detectable Effect on Cardiac Adaptation to Exercise in Mice”, integrante da edição especial “Purinergic Signaling”.
O receptor P2X7 é um canal catiônico ativado por ATP extracelular, expresso em células imunes, em cardiomiócitos e na mitocôndria, e vem sendo perseguido como alvo anti-inflamatório. O estudo investigou se o seu antagonismo sistêmico altera a capacidade aeróbia e a adaptação do coração ao treinamento.
Camundongos Swiss adultos machos foram estudados em desenho fatorial 2 × 2, cruzando condicionamento (sedentário ou exercitado) e tratamento (salina 0,9% ou Brilliant Blue G, BBG, 50 mg/kg, i.p.). Os grupos exercitados treinaram em esteira em dias alternados, 16 sessões de 20 minutos a 60% do máximo inicial. O consumo máximo de oxigênio (VO₂máx) e a potência foram medidos por ergoespirometria incremental em esteira metabólica, e a densidade de volume (Vv) de cardiomiócitos por estereologia design-based.
O treinamento aumentou o VO₂máx (ηp² = 0,31; g = 1,12) e a Vv de cardiomiócitos (ηp² = 0,31). O BBG reduziu o VO₂máx (ηp² = 0,20; g = 0,79) e a potência de pico (g = 0,82), independentemente do condicionamento e sem interação. O déficit se ampliou ao longo do teste incremental, o que aponta para um teto na oferta oxidativa de ATP e não para uma diferença de repouso. Os autores tratam esses desfechos de forma conservadora: os efeitos convergem sob controle da taxa de descobertas falsas, mas não sobrevivem à correção de Holm. Rotarod, campo aberto, lactato sanguíneo e massa corporal não se alteraram.
Não foi detectado efeito do antagonista sobre a resposta cardíaca ao treino, nem sobre a matriz extracelular ou o volume cardíaco absoluto. O aumento da Vv de cardiomiócitos foi de +0,067 sob salina e de +0,034 sob BBG, sem interação significativa. Os autores registram que esse braço é um resultado nulo com seis a sete animais por grupo: o intervalo de confiança limita mas não exclui uma atenuação, e detectar metade do efeito do treinamento exigiria cerca de 85 animais por grupo. A dissociação relatada é entre um déficit funcional mensurável e uma resposta estrutural que este desenho não pôde resolver.
Os procedimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC (CEUA 6921230724), em conformidade com a Lei nº 11.794/2008 e com as diretrizes do CONCEA.
Autores: Naiara de Souza Santos, Izabel Feltrin Fabro, Ana Paula Pinto de Araújo, Beatriz Carminati dos Santos, Tatyana Nery, Sávio de Almeida Ramos, Izabely Guedes da Rosa, Amanda Leite Bastos-Pereira e Aderbal S. Aguiar Jr. (LaBioEx, Departamento de Fisioterapia, UFSC Araranguá), com Francielly Andressa Felipetti (LAIF, Departamento de Ciências Médicas, UFSC Araranguá).
Financiamento: CAPES/PROEX (Código de Financiamento 001) e CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa 304343/2023-4). N. S. Santos, I. F. Fabro e T. Nery foram bolsistas de doutorado, A. P. P. de Araújo de mestrado e B. C. dos Santos de iniciação científica, todos pela FAPESC. S. de A. Ramos foi bolsista de iniciação científica do CNPq, e I. G. da Rosa participou como voluntária. A taxa de publicação foi custeada pela CAPES.
Agradecimentos: Biotério Central da UFSC, pelo apoio técnico.