12/09/2026 Mestrado em Ciências da Reabilitação: inscrições abertas até 27 de setembro

12/09/2026 10:04

O PPGCR da UFSC Araranguá publicou o Edital 008/PPGCR/2026, de seleção de mestrado para ingresso em 2027.1. São até 21 vagas, sendo 11 na linha Desempenho e Capacidade dos Sistemas Cardiorrespiratório e Neurológico, na qual o LABIOEX atua.

O tema do laboratório no Apêndice A é: fadiga e regulação do esforço no exercício físico, com seus determinantes centrais e periféricos e as implicações para a avaliação e a prescrição em reabilitação.

As inscrições vão até 27/09/2026, pelo CAPG (capg.sistemas.ufsc.br/inscricao). A indicação de um orientador é obrigatória no formulário.

A seleção tem duas etapas presenciais: prova escrita com avaliação cega, em 08/10, com peso 4; e apresentação da proposta de projeto, trajetória acadêmica e entrevista, entre 20 e 22/10, com peso 6. A nota mínima é 7,0 em cada etapa. A homologação do resultado final está prevista para 07/12/2026.

No mínimo 28% das vagas são reservadas a ações afirmativas. A documentação é enviada pelo PAI, entre 30/10 e 02/11/2026.

O Programa pode ser apoiado por agências de fomento, sem garantia prévia de bolsa aos candidatos selecionados.

Quem pretende desenvolver a dissertação no LABIOEX pode escrever para aderbal.aguiar@ufsc.br antes de concluir a inscrição.

Edital completo e informações: ppgcr.paginas.ufsc.br | ppgcr@contato.ufsc.br

08/09/2026 Novo artigo: o antagonismo do receptor P2X7 reduz a capacidade aeróbia em camundongos

08/09/2026 07:10

Está publicado na ACS Pharmacology & Translational Science, em acesso aberto sob licença CC BY 4.0, o artigo “Purinergic P2X7 Receptor Antagonism Impairs Aerobic Capacity without Detectable Effect on Cardiac Adaptation to Exercise in Mice”, integrante da edição especial “Purinergic Signaling”.

O receptor P2X7 é um canal catiônico ativado por ATP extracelular, expresso em células imunes, em cardiomiócitos e na mitocôndria, e vem sendo perseguido como alvo anti-inflamatório. O estudo investigou se o seu antagonismo sistêmico altera a capacidade aeróbia e a adaptação do coração ao treinamento.

Camundongos Swiss adultos machos foram estudados em desenho fatorial 2 × 2, cruzando condicionamento (sedentário ou exercitado) e tratamento (salina 0,9% ou Brilliant Blue G, BBG, 50 mg/kg, i.p.). Os grupos exercitados treinaram em esteira em dias alternados, 16 sessões de 20 minutos a 60% do máximo inicial. O consumo máximo de oxigênio (VO₂máx) e a potência foram medidos por ergoespirometria incremental em esteira metabólica, e a densidade de volume (Vv) de cardiomiócitos por estereologia design-based.

O treinamento aumentou o VO₂máx (ηp² = 0,31; g = 1,12) e a Vv de cardiomiócitos (ηp² = 0,31). O BBG reduziu o VO₂máx (ηp² = 0,20; g = 0,79) e a potência de pico (g = 0,82), independentemente do condicionamento e sem interação. O déficit se ampliou ao longo do teste incremental, o que aponta para um teto na oferta oxidativa de ATP e não para uma diferença de repouso. Os autores tratam esses desfechos de forma conservadora: os efeitos convergem sob controle da taxa de descobertas falsas, mas não sobrevivem à correção de Holm. Rotarod, campo aberto, lactato sanguíneo e massa corporal não se alteraram.

Não foi detectado efeito do antagonista sobre a resposta cardíaca ao treino, nem sobre a matriz extracelular ou o volume cardíaco absoluto. O aumento da Vv de cardiomiócitos foi de +0,067 sob salina e de +0,034 sob BBG, sem interação significativa. Os autores registram que esse braço é um resultado nulo com seis a sete animais por grupo: o intervalo de confiança limita mas não exclui uma atenuação, e detectar metade do efeito do treinamento exigiria cerca de 85 animais por grupo. A dissociação relatada é entre um déficit funcional mensurável e uma resposta estrutural que este desenho não pôde resolver.

Os procedimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC (CEUA 6921230724), em conformidade com a Lei nº 11.794/2008 e com as diretrizes do CONCEA.

Autores: Naiara de Souza Santos, Izabel Feltrin Fabro, Ana Paula Pinto de Araújo, Beatriz Carminati dos Santos, Tatyana Nery, Sávio de Almeida Ramos, Izabely Guedes da Rosa, Amanda Leite Bastos-Pereira e Aderbal S. Aguiar Jr. (LaBioEx, Departamento de Fisioterapia, UFSC Araranguá), com Francielly Andressa Felipetti (LAIF, Departamento de Ciências Médicas, UFSC Araranguá).

Financiamento: CAPES/PROEX (Código de Financiamento 001) e CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa 304343/2023-4). N. S. Santos, I. F. Fabro e T. Nery foram bolsistas de doutorado, A. P. P. de Araújo de mestrado e B. C. dos Santos de iniciação científica, todos pela FAPESC. S. de A. Ramos foi bolsista de iniciação científica do CNPq, e I. G. da Rosa participou como voluntária. A taxa de publicação foi custeada pela CAPES.

Agradecimentos: Biotério Central da UFSC, pelo apoio técnico.

03/09/2026 Novo livro do LABIOEX: o que acontece no corpo humano quando ele se move

03/09/2026 15:31

 Biologia Integrativa do Exercício, livro-texto em dez capítulos nascido da disciplina de graduação em Fisioterapia

A fisiologia que o estudante aprende nas fases iniciais do curso é, quase toda ela, uma fisiologia do repouso. Ela descreve o organismo dentro de uma faixa estreita de variáveis reguladas e explica os mecanismos que as devolvem à faixa sempre que algo as desloca. Funciona bem para descrever um corpo sentado.

O exercício rompe esse modelo. Numa corrida intensa, o fluxo sanguíneo muscular aumenta mais de vinte vezes, a temperatura central pode ultrapassar 40 graus e o pH intramuscular pode cair abaixo de 6,8. Nada disso está sendo mantido constante. É essa travessia que o novo livro do laboratório percorre.

Biologia Integrativa do Exercício nasceu das aulas da disciplina no curso de Fisioterapia da UFSC, campus de Araranguá. A organização segue a lógica energética: o calor que precisa ser dissipado, o trifosfato de adenosina que sustenta os primeiros segundos, os carboidratos que sustentam os primeiros minutos, o oxigênio que sustenta tudo o que vem depois, e os sistemas cardiovascular e ventilatório que servem a essa cadeia.

Cada capítulo percorre três camadas: o mecanismo fisiológico, o instrumento que o mede e a conduta clínica que dele decorre. Por isso o texto traz, ao lado das vias energéticas, o teste de caminhada de seis minutos com equações brasileiras, o manejo das doenças do calor por esforço, o risco de hipoglicemia no diabetes tipo 1 e a evidência da reabilitação cardíaca e pulmonar.

Duas escolhas orientaram a redação. Cada afirmação quantitativa remete à sua fonte, em mais de 350 referências verificadas. E as controvérsias abertas entram no texto: a hidratação obrigatória, o papel do lactato na acidose, o platô do consumo máximo de oxigênio. Um livro-texto que apresenta apenas consensos ensina conteúdo, mas não ensina ciência.

Disponível como eBook Kindle na Amazon, sob o ISBN 978-65-02-33115-6.

Ver na Amazon

31/08/2026 Novo artigo: corrida aguda potencializa a resposta a um agonista μ-opioide em camundongos

31/08/2026 12:39

Está publicado na ACS Pharmacology & Translational Science, em acesso aberto sob licença CC BY 4.0, o artigo “Acute Submaximal Running Potentiates the Straub Tail Response to Meperidine in a Dose- and Sex-Dependent Manner in Mice”.

O estudo investigou se o exercício agudo modifica a resposta farmacodinâmica a um agonista μ-opioide administrado por via sistêmica, e se essa modulação difere entre sexos. A resposta de Straub, elevação da cauda mediada por receptores μ₂ centrais, foi empregada como índice comportamental de ativação opioide supraespinhal, graduada pelo escore de Kameyama.

Foram utilizados 212 camundongos Swiss adultos, machos e fêmeas. Após a caracterização da curva dose-resposta da meperidina em repouso, de 8 a 96 mg/kg por via subcutânea, as doses submáximas de 8 e 12 mg/kg foram combinadas com 30 minutos de corrida em esteira a 20 m/min. Teste cardiopulmonar em esteira metabólica situou essa intensidade em 72 ± 15% do VO₂máx em machos e 67 ± 15% em fêmeas.

A 12 mg/kg, a corrida aumentou o escore cumulativo de Straub nos dois sexos, com interação Sexo × Exercício significativa e tamanho de efeito maior em fêmeas (g = 3,81) do que em machos (g = 1,21). A 8 mg/kg não houve potenciação significativa, e a locomoção espontânea não se alterou em nenhuma das doses. A antinocicepção térmica a 12 mg/kg foi equivalente entre os sexos, indicando que o dimorfismo é específico da interação entre exercício e opioide. O experimento com naloxona foi inconclusivo em ambos os sexos e está relatado como tal. Os autores registram tratar-se de observação pré-clínica exploratória, sem base para modificação de protocolos clínicos.

Os procedimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC (CEUA 2036240921), em conformidade com a Lei nº 11.794/2008, com as diretrizes do CONCEA e com as recomendações ARRIVE.

Autores: Tatyana Nery, Naiara de Souza Santos, Ana Cristina de Bem Alves, Amanda Leite Bastos-Pereira e Aderbal S. Aguiar Jr. (LaBioEx, UFSC Araranguá).

Financiamento: CAPES (PROAP e PROEX), FAPESC (Termo de Outorga 2024TR002566) e CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa 310635/2020-9). T. Nery foi bolsista de doutorado da CAPES. A taxa de publicação foi custeada pela CAPES.

Agradecimentos: Biotério Central da UFSC, pelo fornecimento e manejo dos animais, e Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago (HU/UFSC), pela doação da meperidina.

ENTRE NO LABIOEX

28/07/2026 08:53

Você vai medir consumo de oxigênio em animais correndo, operar um estereotáxico, rodar comportamento em vídeo-tracking e dosar proteína em placa. Não vai passar o semestre lendo artigo e assistindo reunião.

O LABIOEX investiga por que o corpo gosta de se mover — a neurobiologia da fadiga central, do esforço e do prazer do movimento — e como isso se traduz em farmacologia. Chegamos aos canabinoides pelo exercício, não o contrário.

Estamos no Campus Araranguá da UFSC, no Departamento de Fisioterapia, com pós-graduação pelo Programa de Pós-Graduação em Neurociências (PPG Neuro) e também Ciências da Reabilitação (PPGCR).
O QUE VOCÊ APRENDE AQUI

  • Farmacologia experimental
  • Cirurgia estereotáxica e microinjeção em roedores
  • Ergoespirometria animal: VO2, VCO2, RER, teste incremental até a exaustão
  • Lactato, glicemia e marcadores de esforço
  • Comportamento com vídeo-tracking automatizado (campo aberto, labirintos, esquiva)
  • ELISA e ensaios bioquímicos em tecido
  • Delineamento experimental, análise estatística e escrita científica
  • Boas práticas com animais de laboratório (CEUA)

O que você aprende de fato depende da sua linha, mas ninguém sai daqui sem ter posto a mão em bancada.

Processos seletivos abertos — Mestrado, Doutorado (em breve) e Pós-Doutorado no PPGNeuro/UFSC

01/07/2025 13:49

O Programa de Pós-Graduação em Neurociências (PPGNeuro), vinculado ao Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), informa que estão abertas as inscrições para os seguintes processos seletivos:

Seleção para o Curso de Mestrado
O PPGNeuro receberá inscrições para o processo seletivo de ingresso no curso de Mestrado entre os dias 02 de julho e 18 de julho de 2025. Os interessados devem consultar o edital específico disponível na página oficial do Programa para conhecer os critérios de elegibilidade, documentação exigida e etapas da seleção.

Seleção interna para Bolsas de Pós-Doutorado/FAPESC
Considerando o EDITAL DE CHAMADA PÚBLICA FAPESC N.º 25/2025, o PPGNeuro torna público o processo de seleção interna de projetos de candidatura a bolsas de Pós-Doutorado com início em 2025, financiadas pela FAPESC. Pesquisadores com doutorado interessados em desenvolver projetos alinhados às linhas de pesquisa do Programa devem consultar o edital interno e submeter suas propostas conforme os prazos estabelecidos.

Seleção para o Curso de Doutorado
O edital de seleção para ingresso no Doutorado está em fase final de elaboração e será lançado nos próximos dias. Acompanhe a página do Programa para atualizações e prazos.


Sobre o coordenador e o laboratório

O Prof. Dr. Aderbal Silva Aguiar Junior é o atual coordenador do PPGNeuro. Cientista com atuação translacional, integra e lidera projetos que conectam neuropsicofarmacologia, exercício físico, desenvolvimento de novos fármacos, farmacogenômica e biotecnologia aplicada à saúde. É professor associado da UFSC e coordena um laboratório de pesquisa inovador, com ampla infraestrutura para estudos pré-clínicos e translacionais.

Seu laboratório atua com foco em três principais linhas de pesquisa:

  1. Neurobiologia da fadiga e do comportamento emocional
    Investiga os mecanismos neurais da fadiga central e suas interações com o exercício físico, processos inflamatórios e circuitos de motivação.
  2. Farmacologia de canabinoides, psicodélicos e nanofármacos
    Desenvolve e testa formulações inovadoras à base de cannabis medicinal e compostos psicodélicos, com especial interesse em produtos full spectrum, farmacogenômica e inteligência artificial para personalização terapêutica.
  3. Inovação e desenvolvimento de produtos biotecnológicos
    Com forte interface com a indústria e startups, o grupo também atua no desenvolvimento de novos fármacos e formulações com potencial translacional, incluindo estudos regulatórios e validação pré-clínica.

Os interessados em ingressar no grupo devem demonstrar afinidade com os temas abordados, curiosidade científica, resiliência frente aos desafios da pesquisa e vontade de produzir conhecimento com potencial de impacto social, científico e tecnológico.

Mais informações e os editais completos estão disponíveis em https://ppgneuro.posgrad.ufsc.br

Cannabis medicinal no autismo: o que dizem os estudos clínicos

29/04/2025 18:45

Nos últimos anos, a cannabis medicinal tem despertado crescente interesse como opção terapêutica complementar para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Estudos clínicos conduzidos entre 2019 e 2024 demonstraram que extratos ricos em canabidiol (CBD), especialmente em formulações com pouca ou nenhuma presença de THC, podem trazer benefícios relevantes para sintomas associados ao autismo.

Os efeitos terapêuticos mais frequentemente observados incluem melhorias na interação social, redução da ansiedade, diminuição da agitação psicomotora, melhora no sono e no apetite, maior concentração, menor irritabilidade e diminuição de comportamentos repetitivos. As doses utilizadas nos estudos variam, mas geralmente ficam entre 300 a 600 mg de CBD por dia, com formulações na proporção 20:1 ou 75:1 de CBD:THC.

A segurança também tem sido um ponto positivo: os efeitos colaterais relatados são, em sua maioria, leves e transitórios — como sonolência, perda de apetite, alterações gastrointestinais e, ocasionalmente, insônia ou tontura. Nenhum estudo clínico publicado até agora relatou eventos adversos graves com o uso controlado de CBD em pacientes com TEA.

Embora os dados sejam promissores, os especialistas alertam que o uso da cannabis medicinal deve ser sempre acompanhado por profissionais da saúde, com formulações padronizadas, controle de dose e avaliação clínica cuidadosa — especialmente em crianças e adolescentes.

  • SAINZ-CORT, Alberto et al. The effects of cannabidiol and δ-9-tetrahydrocannabinol in social cognition: A naturalistic controlled study. Cannabis and Cannabinoid Research, v. 9, n. 1, p. 230-240, fev. 2024. DOI: 10.1089/can.2022.0037. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35881851. Acesso em: 29 abr. 2025.

  • SILVA JUNIOR, Estácio Amaro da et al. Evaluation of the efficacy and safety of cannabidiol-rich cannabis extract in children with autism spectrum disorder: randomized, double-blind, and placebo-controlled clinical trial. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, v. 46, e20210396, 2024. DOI: 10.47626/2237-6089-2021-0396. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35617670. Acesso em: 29 abr. 2025.

  • ARAN, Adi et al. Cannabinoid treatment for autism: a proof-of-concept randomized trial. Molecular Autism, v. 12, n. 1, p. 6, 3 fev. 2021. DOI: 10.1186/s13229-021-00420-2. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33536055. Acesso em: 29 abr. 2025.

  • PRETZSCH, Charlotte M. et al. The effect of cannabidiol (CBD) on low-frequency activity and functional connectivity in the brain of adults with and without autism spectrum disorder (ASD). Journal of Psychopharmacology, v. 33, n. 9, p. 1141-1148, set. 2019. DOI: 10.1177/0269881119858306. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31237191. Acesso em: 29 abr. 2025.

  • PRETZSCH, Charlotte M. et al. Effects of cannabidiol on brain excitation and inhibition systems; a randomised placebo-controlled single dose trial during magnetic resonance spectroscopy in adults with and without autism spectrum disorder. Neuropsychopharmacology, v. 44, n. 8, p. 1398-1405, jul. 2019. DOI: 10.1038/s41386-019-0333-8. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30758329. Acesso em: 29 abr. 2025.